Não sei há quanto tempo eu não vivia. Em que parte de mim eu afastara, tornando-me este vasto vazio que parece matar-me, mantendo a minha existência latente a este mundo tão imenso. Pensei em gritar-me, para que eu ouvisse e voltasse para dentro daquele corpo - o que eu pensei ser eternamente meu.
Foi uma respiração que me matou, aquela na qual minha alma viajou, deixando-me fútil, vazia e uma vaga lembrança do que eu supostamente deveria ser. O vento me levam para onde os outros vão, minha consciência logo se foi, junto há alma que pareceu desistir de mim. Ou será que fui eu que desisti dela? O que interessa é que agora eu sou o nada à espera de me tornar tudo apenas porque penso que o nada vale bem mais do que o tudo.
Cliché é tudo aquilo que eu preciso de ser para sobreviver a este mundo manchado pelas manchetes. Adoro embalar-me nessa futilidade, perder-me algures pelo que nunca pensei… Aquelas coisas que de nada servem além de contar novos números, deixando todas as pessoas de lado. Minha alma se foi, meu romantismo fechou-se ao sentir inútil dos tempos.
Porque eu me tornei uma pequena folha levada pelo vento, já morta… Que logo se reclinou na terra, embalando-se no nada que é pelas horas em que se decompõe.